Varanda da Sinhá da Camiranga
 


O macaco tá certo

 

José Simão disse tudo:

 

Não foi impeachment nem golpe. Foi troca de quadrilha.




 Escrito por Sinha Clementina às 11h55
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SÁBIO CONSELHO

 

DE VEZ EM QUANDO É PRECISO QUEIMAR ALGUMAS PONTES

PARA IMPEDIR QUE OS LOUCOS LHE SIGAM.

E SINHÁ COMPLEMENTA: OS LOUCOS E TAMBÉM OS DOENTES, PREGUIÇOSOS, RECLAMADORES E VÍTIMAS ETERNAS, OS QUE NADAM DE BRAÇADAS NAS ÁGUAS PARADAS DA AUTO-COMPAIXÃO, DO DENIAL, DA AUTO-ENGANAÇÃO; OS QUE VIVEM DANDO DESCULPAS PARA NUNCA MUDAR O RUMO DE SUAS VIDINHAS PATÉTICAS, OS QUE OLHAM DEMAIS PARA OS PRÓPRIOS UMBIGOS E EGOS ENORMES E SE FECHAM PARA A VIDA E SUAS ILIMITADAS POSSIBILIDADES. CANSEI! 



 Escrito por Sinha Clementina às 12h40
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PERCEBE?

 

LIFE IS MOSTLY A MATTER OF PERCEPTION.

AND MORE OFTEN, MISPERCEPTION.

 

Dave Logan



 Escrito por Sinha Clementina às 10h42
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VOCÊ É UM BOM OUVINTE?

Você é um bom ouvinte? Já parou para pensar no que significa ser um bom ouvinte?

 

Já se deu conta de como é irritante lidar com uma pessoa que não sabe ouvir? Não me refiro aos surdos, mas àqueles indivíduos que são incapazes de realmente prestar atenção em seus semelhantes. 


E o mundo está cheio deles, de vários tipos. 

Há aqueles que você visita e eles lhe recebem com beijos e cafezinho, mas são incapazes de desligar a porcaria da televisão e lhe dar atenção integral. Só podem oferecer uma atenção quebrada feito arroz de terceira, prato pobre incapaz de nutrir qualquer relacionamento. Você sai do encontro com fome de calor humano.


Há aqueles que a toda hora interrompem o papo para receber ou mandar torpedos ou falar pelo celular. Ou checar se fulana ou sicrano -- entre as centenas de amizades virtuais que cultivam --  acaba de proclamar alguma coisa nos Facebooks, Orkuts e Twitters da vida. 


Há ainda aqueles portadores da Síndrome do Coelho da Alice, em estado terminal. Lembram daquele personagem do livro “Alice no País das Maravilhas” que corria para lá e para cá segurando um enorme relógio e gritando “não há tempo, não há tempo”?  Pois então, esses só sabem proclamar que a amizade (ou o amor) é verdadeiro e eterno, pena que não há tempo. Também se encaixam nessa categoria  aqueles que ao vivo apertam sua mão com a firmeza de uma geléia e não te olham nos olhos. Virtualmente sequer dão um sinal de que receberam seus emails ou telefonemas, mesmo quando está em jogo algum assunto de trabalho ou até algum interesse comercial deles, não seu. E ainda aqueles que prometem que vão fazer algo sem ter a menor intenção de cumprir. Figuras detestáveis. 


E os adeptos de fazer várias coisas simultaneamente? Fingem que querem e podem conversar e lhe dar atenção enquanto gritam ordens à empregada, dão broncas nos filhos, lixam as unhas, fazem listas de compras, retiram da bolsa centenas de papeizinhos inúteis que foram acumulando e ainda votam pelo celular pra eliminar outro idiota do Big Brother. Vocês pegaram a idéia né? 


E os ultra ansiosos, aqueles que terminam suas frases por você? Não são de endoidar? Você começa a contar uma história e o vivente tira conclusões precipitadas, interrompe sua narrativa com um “já sei. Daí aconteceu isso, assim e assado”, quando na verdade aconteceu algo completamente diferente. Que ele jamais ficará sabendo porque não foi capaz de simplesmente ouvir e nessa altura dos acontecimentos você também já desistiu de contar. Contar pra que? 


Pensa que acabou? Não. Tem ainda aqueles que sem pedir sua permissão convidam outras pessoas pra se juntar à conversa e jogam por terra qualquer possibilidade de uma troca mais íntima e profunda. Tem aqueles que você apenas comenta que está com uma dor nas costas e eles subitamente recebem o espírito do Dr. Fritz mesclado com os do Freud, Lacan & Cia. E começam as conjecturas enigmáticas do que a sua queixa realmente significa. Certa vez ouvi que eu não estava sendo capaz de “ segurar o peso da realidade”, quando meu problema era apenas um mau jeito na coluna, causado por um colchão velho. Foi só trocar de cama e minha diagnosticada incapacidade de segurar o peso da realidade sumiu, como por encanto.  


Já observei outros tipos de ouvintes ordinários, mas melhor parar  senão isso aqui vira um compêndio ao invés de uma coluna, sem trocadilhos com o parágrafo acima.


Faz quase 30 anos que me formei em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo. Nessas quase três décadas o mundo trocou de roupa, sapato, maquiagem e  penteado diversas vezes e isso provocou mudanças profundas no exercício de nossa profissão. Mas apesar de todas essas mudanças sociais e tecnológicas o Jornalismo continua sendo, na essência, a profissão dos contadores de boas histórias. E só consegue contar uma boa história quem tem disposição e educação para praticar o ouvir atento e atencioso. 

Ouvir não só o que é dito pelas palavras, mas também e principalmente o que é comunicado nas pausas e silêncios, nas sutilezas dos olhares, nas mudanças do tom da voz, no corpo e seu repertório de gestos e posturas que nunca mentem. 

 

Tenho dois amigos queridos e competentes que lecionam em faculdades de Jornalismo aí no Brasil. Um dá aula de Semiótica, Linguagens e Estruturas do Discurso.  O outro dá aulas de Técnicas de Redação, como construir bons parágrafos e coisas afins. Eu nunca dei  aula de nada, mas se pudesse influenciar mudanças curriculares nas faculdades de Jornalismo e de outras áreas de estudo sugeriria um curso para formação de bons ouvintes.


Porque ser um bom ouvinte, entre outras coisas, é fundamental para alguém ser um bom jornalista. Ou médico, político, pedreiro, professor, etc. E ser também, de quebra, um bom amigo, um bom filho, um bom pai ou mãe, um bom patrão ou empregado, um bom membro de qualquer equipe. Ser, enfim, uma pessoa possível de se ter uma interação minimamente agradável. Ouviu?

 

 



 Escrito por Sinha Clementina às 12h45
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COMO DIZIA QUINTANA...

 

Esta vida é uma estranha hospedaria

De onde se parte quase sempre às tontas

Pois nunca as nossas malas estão prontas

E a nossa conta nunca está em dia.

 

 

                    



 Escrito por Sinha Clementina às 20h25
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Vazio

HAI KAIZANDO

Millôr é morto

silêncio e dor

em meu peito torto. 

 

                                    


                                                       Millôr Fernandes -  1923 - 2012

                             

 

                    



 Escrito por Sinha Clementina às 22h41
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Sinhá enxuga as lágrimas e tira o chapéu...

CHEGANDO AO CÉU

lhe foi feita a pergunta: qual é o teu nome?

E ele respondeu: Legião. Porque somos muitos.

 

                          

                                            GÊNIO DA RAÇA: CHICO ANYSIO - 1931 - 2012

                                        



 Escrito por Sinha Clementina às 13h22
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Meu bordado de Natal

 

MEU BORDADO DE NATAL

Natal é época de dar presentes. Tem gente que adora: a festa, as músicas, as trocas de presentes, a reunião com a família, a alegria da estação. Não fui sorteada nessa loteria. Não consigo sentir a tal "joy of the season", que tanta gente diz experimentar. Tem até uma musiquinha natalina que toca em todos os lugares aqui nos Estados Unidos nessa época que fala assim: "it's the most wonderful time of the year". Eu, pra fazer troça, mudo a letra pra "it's the most difficult time of the year". Justamente por conta das festas, das músicas, da loucura que fica o comércio e o trânsito. E também pela falta que me fazem pessoas que amei e que já morreram. Ou ainda aqueles que moram muito longe e cuja ausência, especialmente nessa época do ano, fica ainda mais aguda e dolorida. Saudades do Brasil também.

Portanto, como meu dinheiro anda curto e minha paciência para filas em lojas ainda menor, vou tentar deixar um presente, uma lembrancinha como dizem singelamente aí no Brasil, para uma pessoa muito amada que nesse Natal decidiu não sentar à minha mesa. Não por estar morta, graças a Deus, mas por estar atravessando um momento da vida dela em que a distância dos familiares é por si só um presente. Acontece, nas melhores famílias. O que nem de longe é o caso da minha: somos apenas gente comum, jamais poderíamos protagonizar comerciais de margarina.

Meu presente será feito com palavras, matéria prima tão maleável e acessível a todos, tão de graça, abundante e fluída como a água que poucos prestam realmente atenção nelas. Embora, exatamente como a água, elas sejam essenciais.

Meu presente para você, a que estará ausente, seria que você mantivesse sempre vivo em seu coração o sentimento de amar a Vida, com maiúsculas mesmo. A vida, só ela, esse sim, é o maior dos presentes.

Não apenas a sua vida, mas também a dos seus semelhantes. E a dos animais, das plantas, dos rios, dos mares, de tudo que respira e se move e sonha.

Deixaria a consciência de tentar aprender tudo o que foi ensinado ao longo do tempo por sábios que já viveram muito antes de seus tatatatataravós sequer existirem.

Deixaria a você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável: a justiça, a honestidade, a limpeza de alma e propósitos. E, muito importante, o amor aos livros. Livros são amigos que nunca traem, nunca abandonam e estão sempre ao seu dispor.  Alguns são pura mágica, espelho limpído onde sua alma se vê por inteira,  se reconhece e se fortalece. Esses são raros e tão individuais quanto impressões digitais. Mas se você tiver a sorte de encontrá-los vai sentir que eles são mais seus do que um filho seu, embora não tenham nascido de você.

Deixaria também a alegria de ganhar seu pão com trabalho honesto e o prazer de repartí-lo com aqueles a quem você ama. Mesa boa é aquela rodeada por amigos e amados.

A coragem de agir sempre que a vida, a justiça e o bem estar de alguma pessoa ou outro ser vivente estiver ameaçado.

A valentia de não se omitir e nem precisar fazer parte dos rebanhos que seguem modas e tendências efêmeras e nem sempre positivas.

Se eu pudesse lhe deixar algum presente seria essa única dica:

pense em sua vida como um bordado, sendo construído dia a dia, os pontos sendo todas as suas escolhas, pequenas e grandes. Eu sei que assusta. Acredite: já tenho quase 50 natais e ainda me apavoro com essa idéia, com a responsabilidade embutida nela. Mas acredite: sei que ela é verdadeira. 

Adoraria poder lhe dar um pacote bem grandão, transbordando de sabedoria, para que você sempre escolhesse apenas as cores alegres e desse sempre os pontos certos no seu bordado. Mas, infelizmente,esse presente não posso lhe dar. Porque ele só virá com o tempo, esse senhor caprichoso, misterioso, e tão bonito quanto a cara de meu filho, como tão lindamente compôs Caetano.

Ao errar não se desespere, não rasgue o tecido, não jogue tudo fora, não pense que não tem conserto. Nessa arte de ir bordando a vida não se fala em "se você errar", mas em "quando você errar", porque os enganos são inevitáveis. E, ironia das ironias: com eles também se aprende a bordar. Portanto, tente lembrar de jamais menosprezá-los, porque isso só os estúpidos fazem. Mas tente também jamais supervalorizá-los, porque isso também é estupidez e só vai criar mais confusão no seu bordado, embaçar sua visão, complicar com neuroses e culpas coisas que já passaram e que devem ficar no passado. Tente apenas não repetí-los e já vai estar de bom tamanho.

O ofício de bordar é difícil mesmo, nunca ninguém disse que seria fácil. Mas o grande barato dessa arte delicada é que  sempre é possível desfazer os pontos errados, mudar o desenho, trocar as cores que não combinam, inventar novas modas. Dá pra fazer um risco torto virar o começo de um curva enorme, linda e sensual, igual as do Niemeyer. Ou algo pequenino, como o rendilhado primoroso da asa da borboleta. Sempre é possível recomeçar.

Cada novo dia é um espetáculo inédito e cada um de nós decide se ele findará em lágrimas, como uma tragédia. Ou em drama, como numa ópera daquelas bem barulhentas. Ou com olhos arregalados, coração agoniado e gritos de um filme de terror. Ou ainda em risos e alegria e mais garra para viver, como nas boas comédias. Que nos tornam leves e com vontade de sair por aí cantando e dançando até mesmo na chuva, como naquele clássico do cinema. 

Para terminar e embrulhar esse presente inusitado, mistura maluca de ABCs e todos os irmãos e primos dessa família fantástica, minhas últimas palavras: quando a agulha picar seu dedo, o sangue dolorido respingar no bordado e sua vontade for desistir de tão complicada arte, não faça nada, além de ir para um canto e chorar bastante.

Nunca faça nada na dúvida, porque isso é sair do terreno instável da incerteza e entrar na areia movediça do risco. Chore tudo o que puder, soque seus travesseiros, canse seu corpo, de preferência nadando no mar. Stress se dissolve em água, isso já aprendi com os meus tais 50 natais. Depois seque os olhos, se vire no avesso e vá buscar em seu interior a coragem e a força para encontrar a saída.

Porque pode acreditar: ela sempre existe. E está mais perto do que você imagina.

Feliz Natal!

                                                             

 


 



 Escrito por Sinha Clementina às 14h05
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VIAJAR: É MUITO BOM; IT'S SOOOOO GOOD; C'EST SI BON!

Hoje não vou prosear não, só mostrar umas fotos do nosso passeio lá pelas terras das Oropa.

Lugar lindo, de muito procedimento, um exagero de belezura, castelos, palácios, estátuas, mármore, granito, quadros e dourados saindo pelo ladrão que só ocês vendo mess, nem dá pra Sinhá tentá explicá causo de que ali tem História pra mais de milha. Mas foi ótimo. Sequóia e Sinhá tomaram muito vinho, riram muito, namoraram bastante e recarregaram as baterias para mais uns meses de trabalho, até as próximas férias. 

Beijim pr'ocês.


o



 Escrito por Sinha Clementina às 20h39
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Sinhá nas Oropa

SINHÁ NAS OROPA

                                          

 

 

Vou entrar no trem que avoa


Pras Oropa vou zarpar


Só volto pra Camiranga


Dispois de muito passear



Quero ver se o Carnaval de Munich


é mesmo coisa animada


E se a salsicha com cerveja dos alemão


bate a nossa feijoada!



Pros gajos de Trás dos Montes já mandei um recadim 


Sequóia quer farinheira, vinho verde e bacalhau


Enquanto Sinhá aprecia azeitonas, pão de alho e uns trancelins



Das cachopas bigodudas e de fados nem me falem


Disso eu só quero é distância


Me poupem de lamúrias e daquele “nem as paredes confesso”


Causo de que se eu gostasse de gente feia e papo furado


Ficava na Capetinga ouvindo as prosas do Nerso.



Quero ver as belezuras dos antigamente,


As estáutas peladas, a torre Eiffel iluminada


Encaro inté a Monalisa  rindo de lado

 

 

feito solteirona encalhada.


 


Quero andar pelas mesmas pedras 


onde pisaram Dumas, 


Camille, Lautrec e Channel


Ver onde a burrinha da rainha


perdeu os dedos, a cabeça e o anel.


 

Quer saber?

 

Bem feito pra  Antonieta


mandou o povo comer brioche


encontrou dona Guilhotina e bateu com a caçuleta!



Eu quero é mais, eu quero é tudo,

 

eu sempre quis muito, mesmo que parecesse ser modesta...

 

juro que Sinhá num presta

 

como falava Caetano naquela poesia que é uma festa.



Quero a brancura da neve, o fogo crepitando numa lareira,

 

eu quero a lua sobre o Sena,

 

os croissants, os queijos e chocolates, 


os perfumes e a música 


todo o encanto e o romantismo de Paris


Muito vinho e amor a noite inteira, toda noite


Eu quero, eu preciso, eu mereço ser feliz!



Quero esquecer desse furdunço


de notícias tristes, de morro desabando e gente soterrada.

 

Déspotas, tiranos, gente besta e infeliz


Mubarak, Osama, Kadhafi


A Líbia e o mundo sempre sempre por um triz...



Só peço duas semanas


Misericórdia, eu mereço!


Quinze, quinze diazinhos


De total desligamento


Só namorando o marido


comemorando e bebemorando


vinte e cinco anos de casamento.



Inté!

 

 



 Escrito por Sinha Clementina às 02h46
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MEU FINADO JUSTINO

Já contei causos pr'ocês do Sequóia, do Pinheirão, mas botei reparo que nunca contei nenhum causo do Macieira, meu primeiro marido, nem do Justino Jequitibá, o terceiro, di modos que hoje vô fala um pouco delezin, conta um causo c'oele.

Justino era um homem bom, mas meio sistemático. Humor dele era meio seco, das veiz inté assustava, mas no final ficava engraçado. Assucedeu de uma vez Justino mais Sinhá dá um pulin no Rio de Janeiro, passear um cadim. E fomos tomar água de côco na praia.

Pertim tava acontecendo uma feira, um bando de gente vendendo colar de miçanga, pulseira de latão, essas bugiganga que vende nesses lugar. E tinha um sujeitim na tal feira com um corte de cabelo muito do esquisito. Os lado da cabeça era raspado, branquim que inté parecia as veias . No meio do bestunto dele o cabelo era todo arrepiado, espetado mes, e cada pouquinho tinha uma cor diferente. Era uma coisa esquisita: começava vermelho pertim da testa, dali a pouco virava um roxo, verde, amarelo, azul, tinha de tudos as qualidade de cor. Comentei com Justino que o pobre devia de trabalhar em loja de tinta, sendo o mostruário. Justino balangou a cabeça concordando. Eu dali a pouco me distraí com outras coisas, mas Justino achou aquele penteado deverasmente interessante e num parava de olhar. Canudo na boca, chupando a água de côco, e olhando pro sujeitim, impressionado mes.

Teve uma hora que o rapaizim, incomodado com aquela encaração do Justino, falou ansim:

"Qualé velhusca, nunca fez nada meio maluco na sua vida?"

E o Justino, sem perder o passo da dança, arrespondeu ansim:

"Fiz sim. Uma vez enchi a cara de cachaça, cabei caindo no galinheiro e passei a noite com um pavão. Tava aqui matutando se ocê num podia de sê meu filho".

Povim da feira morreu de rir e dali a pouco o talzinho enrolou as tralhas dele numa esteira e foi cantar noutra freguezia.

Justino era daqueles home quieto, que mais escuta que fala, mas quano falava tomém era porreta, matava a pau. 

Beijim pr'ocês

 

                            



 Escrito por Sinha Clementina às 11h06
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ENTREGA PRO UNIVERSO!

E teve uma vez que passou aqui pela Camiranga e vilinhas dessas paragens um sujeito que se dizia guru, conhecedor das sabedurias lá do Oriente. Sujeitim falava umas coisas compricosa que só ocês vendo mes. Era um tal de falá em inteligência superior de outras galáxias, alinhamento dos planetas, das teorias de uns físicos dos estrangeiro, uma tal de numerologia, cabala disso e daquilo. E tome juntar números, e fazer contas, e uns papo cummmmmmprido sobre matéria, molécula, átomo, protóns, espaço, tempo que entorta, que desentorta, um angú de caroço daqueles impossíver de desencaroça. E quano povim perguntava pr'ele sobre os perrengues normais da vida, do tipo ansim, como enfiá juízo na cabeça de filha desmiolada, como se livrá de uma sogra encruada -- daquelas que tem 99 anos e num tem jeito de morrê e pará d'azucriná -- como lidar com mulher resmungadora, ou home turrão, esses causos mais urgentes que tem em todas as famílias, o tal do guru só sabia falá ansim: entrega pro universo. E dava um sorrisim, como se tivesse falado a coisa mais certa dessa vida. E povim num entendia que diacho de conversa mais enrolada era aquela. 

Depois de uns dias povim largou o tal do guru pra lá, causo de que essa conversa de entregá tudo pro universo tava enchendo os picuás de todo mundo. Apelidim do guru virou "Disco Quebrado". Mas pelo menos a passagem do guru por essas paragens valeu pra uma coisa: deu uma idéia pra um rapaizim lá da Coxaminga que tinha perdido o emprego e tava desacorçoado, sem sabê como ia alimentá a renca de bacuris qu'ele tinha em casa. Por sinar o nomim dele sabe qualéquié? Universo, tomém cunhecido como Versim da Coxaminga.

Ele abriu uma portinha e Takeo fez lá a plaquinha, um tar de Delivery. Dizia ansim: 

                                                      

                                            "Carece de quarqué coisa? Aprecia um leva e traz?

                                    Entregue pro Universo e esfrie a cabeça

                                           Serviço garantido, é zás trás"

No começo povim num tava entendendo nadica de nada, mas dali a pouco viram que era coisa boa,uma dessas modernidade diagora, coisa chique que diz que tem de monte nas cidade grande ansim feito Sum Paulo e Belrizonte. E desdintão sempre que alguém dessas vilinha quer despachá quarqué coisa (carta, bilhetim anônimo, galinha poedeira, burro chucro, o que ocês imaginá) eles entrega pro Universo. E Versim parece notícia ruim, circulando rapidim, entregando de um tudo pela Camiranga, Coxaminga, Curuça, Cudumundópolis e inté nas vilinhas pra lá do Fim do Mundo.

Vivente esqueceu o guarda chuva em casa e caiu um toró? É só telefonar pra lojinha do Delivery e dali a pouco o Universo vai entregar.Ou carece de um supositório no meio da noite, de um sal amargo, um Viagra atômico? É só ligar pra boticario qu'ele entrega pro Universo e dalí a pouco o sofrente tá podendo cuidar do fiofó, refrescar as tripas, ou botar a gurumbumba em órbita. Eita que a Camiranga tá ficando chique por dimais num é mes? 



 Escrito por Sinha Clementina às 23h40
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LEMINSKI, DE NOVO


PODEM FICAR COM A REALIDADE

ESSE BAIXO ASTRAL

EM QUE TUDO ENTRA PELO CANO

EU QUERO VIVER DE VERDADE

EU FICO

COM O CINEMA AMERICANO!



 Escrito por Sinha Clementina às 12h40
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FOLHA OU FALHA?

FOLHA OU FALHA?

Sinhá tá meio besta. Imagine ocês que por causo daquela nuvem preta que das veiz paira aqui em cima de meu bestunto fiquei muitos dias sem querê sabê do mundo, sem lê jornar, nem nada. Di modos que estava mais por fora que umbigo de vedete nesse imbróglio entre a Folha de São Paulo e um site de uns rapaizin, Lino e Mario Bocchini, que tá fora do ar e se chamava " A Falha de São Paulo". Os irmãos Bocchini são dois sarristas ansim feito Sinhá, pelo jeito eles adorava mangá com a Folha, tirá um sarrinho no tar jornar. Di modos que os adevogados da Folha tacaram uma liminar contra os rapaizin e cunseguiro tirá o site deles do ar, dizendo que eles tava "usando indevidamente o logo da Folha". E se eles desobedecê ( gente sarrista adora num obedecê nada) leva uma multa braba.

Sinhá tem duas cumadres conhecedoras de leis e vai perguntá pr'elas se isso tudo faz argum sentido. Mas sei não, tá tudo me cheirando a censura mes, daquelas bem fedidas. Pior que essa só aquela que a famia dos home lá do Maranhão tascaram contra um outro jornar, o "Estado de São Paulo", que tá proibido de publicá quarqué notícia sobre a tal famia lá dos "Honoráveis Bandidos" senão toma uma multa, uma facada no bolso daquelas de deixá o vivente inté sem rumo. 

Fiquei matutando sobre esse imbróglio todo e me veio uma idéia: os rapaizim Bocchini podia era relança o site de humor deles ( e humor é uma das melhores coisas dessa vida gente, ocês pode acreditá nessa Sinhá) como a "Filha de São Paulo". Não o estado, mas o santo católico. Podiam ponhá lá um desenho de uma vedete, saia curta e cigarrão pendurado no beiço, daquelas mais desavergonhada que a Mocinha que transava com o padre e que a Dadivosa da Camiranga. E  atrás dela, de boca aberta, o painho dela,com aquela aurelinha em vorta da carequinha dele e tudo. A tar "Filha do São Paulo" ia sê umazinha bem debochada mes, e fofoqueira, pior que dona Amélia, daquelas bem enxerida, que se mete em tudo e que fala mais que a boca. E o paizim dela, o São Paulo, ia parecê no logo do site novo bem escandalizado, bestificado mes. Inguarzinho Sinhá tá agora com essa mania horrorosa que tá se espalhando no Brasir de gente poderosa querê calá o direito de expressão dos outros. Coisa feia por dimais, ocês num acha? 



 Escrito por Sinha Clementina às 10h42
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Esperança

ESPERANÇA

Meu nome é Sinhá Clementina, mas eu queria era me chamar Esperança. Premeiro causo de que é um nome bunito. E segundamente causo de que, desquieu era criança pequena, lá nos cafundós donde sai antes de chegar na Camiranga, escuito falá que a Esperança é a última que morre. E de uns dias pra cá voltei a achar que deve de ser bom ser a última a morrer.

Di modos que pra homenagear a esperança, que das veiz me abandona, mas nunca morre e sempre -- mais cedo ou mais tarde -- volta pra minha varanda, vou repartir aqui c'ocêis  parte de um poeminha de uma mocinha muito da talentosa chamada Emily Dickinson. A pobrezim já partiu pro além do aquém lá nos antigamente. Línguas de Matildes dizem que partiu virgem, a pobre, ô dó que me deu delazim. Mas apesar dessa triste sina Emilizim sabia fazer versinhos mimosos, vale a pena conhecer. Minha vizinha, Sirvinha, traduziu pr'aqueles que num entende essas língua enrolada de gringo. E deu uma ajeitada nos verso pa mode de rimá, mas garantiu pra Sinhá que a idéia foi preservada, inguar pepino que vira picles. Tomara que ocês goste.

 

Hope is the thing with feathers
That perches in the soul
And sings the tune without the words,
And never stops at all.

A esperança é aquela coisa delicada
Que sem nunca cessar
canta uma canção sem palavras
pousada dentro da alma!
 
Beijim da Sinhá


 



 Escrito por Sinha Clementina às 16h54
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