Varanda da Sinhá da Camiranga
 


Sinhá na Sessão Espríta

Sinhá na Sessão Esprita

 Avaliem ocês que coincidência: tudo os meu marido teve nome de árvre: Olavo Macieira, Bernardo Pinheiro, Justino Jequitibá e atuarmente Sinhá tá sob a administração do pimpão, do portentoso, singular e único Chico Sequóia. Ocês bote reparo que o tamanho das arvre foi crescendo: cumeçô simprizinha com macieira, dispois sartô pra pinheiro, subiu mais um cadinho no jequitibá e agora é esse espetáculo que é uma sequóia. 


Dia desses Sinhá viu nas Internet, nos Orkut, a foto de um rapaizin muito bonitin, Leandrin, que se parece dimais da conta com um dos falecido marido de Sinhá, o Bernardo Pinheiro. Contei pr’ele que ele parecia com o finado e ele veio com a disconfiança di ele sê argum fio do falecido, feito nos escondido, longe das antena de Sinhá. Será possíver? E aquilo que ele falô ponhô uma purga atrás das minha zoreia e umas coceirinha no arto da minha testa. Di modos que fui percurá um macumbeiro, lá no Curuça, pa mode dele falá com os esprito e tentá discubri se Pinheirão andô tendo criança com outra muié por esse mundão, numa das viage dele.


Chico Sequóia falô pra Sinhá sussegá o facho, deixá o finado quieto, mas Sinhá tava se coçando de curiosidade e tinha que discubri, causo que o rapaizim é a cara do falecido, os mesmos zóios de lince, a mesma boca carnuda, tomém um pedaço de mau caminho iguarzinho o falecido. Cheguei na tar sessão esprita o macumbeiro, Pai Salomão, tava vestido de branco, com camisolão e turbante, monte de colar de miçanga no pescoço. E uma mulatona arretada, dona Leonilda, tava sentada do lado dele, na frente de uma mesa com uma toalha branca e umas vela queimando.  Macumbeiro expricou que ele ia fazê o chamado, tentá contacto. Nos antigamente pra fazê telefonema pra Barbacena ou Belrizonte era ansim, uma compricação. Pensei cá comigo que o tar prano espritual deve de sê muito atrasado pa mode de num cunhecê essas modernidade diagora. Quano que Sinhá iá falá pr’ele mudá de servidor, pa mode de tê uma conequissão mais ligerim, Macumbeiro expricou que a mulatona ia sê donde os esprito que atendesse o chamado ia abaixá. 


Cumeçô a sessão, Sinhá só assuntando, macumbeiro e a mulata de zóio fechado, mais concentrados que extrato de tomate Elefante.  Di repente o macumbeiro cumeçô tremê e da boca da mulatona saiu essa modinha, inté me arrupia quano eu me alembro, causo de que Pinheiro tinha a mania de falá tudo rimando e ninguem ali sabia disso.


Neste lugar em que pena
Minha alma martirizada
Vejo nas chamas do caldeirão
A  tua face amada
O teu corpo mimoso
E esse teu olhar de fada

 

Falei ansim: Pinheiro, nem no lado de lá ocê num perdeu essa mania de falá rimado home? Ocê deixe de lero lero e me diga a verdade: ocê ponhou chifre na cabeça de Sinhá? Ocê teve criança com outra muié lá nas suas andança pur Sum Paulo?


E o atentado arrespondeu:


Sinhá, sem tu do meu lado
Satisfeito num fico um só instante
Fora de ti mais ninguém
Eu nunca tive por amante


Leandrim é rapaz bunito

formoso a não mais podê

mais Sinhá, Sinházinha,

muié pra mim 

só teve ocê! 


Quano ele falô ansim quase que Sinhá garrô um beijo na boca da mulatona, de tanta sodade que fiquei delezim. Mais minha recaída durô pouco, causo de que ele cuntinuou com as rima dele :


Oro sempre ao nosso Pai
Toda noite e santo dia
Para que Sinhá venha logo
Me dar completa alegria
Não tenho prazer
Sem a tua companhia


e daí minha sodade passou ligerim, causo de que num gostei do rumo que aquilo tava tomando. Respondi pr’ele ansim:


Agardeço que ocê foi 

um marido leal, fiel e contente

com  proveitosa jibóia, 

deverasmente um jóia

mas seu tempo já passô

agora é a vez do Sequóia


E antes dele vir com mais versinho botei um ponto finar naquela lenga lenga e dei a sessão pur encerrada:


ocê fique aí no seu canto

se comporte, tome tento

que Sinhá pra morrê vai demorá

mais, muito mais do que um trem lento.




 Escrito por sinha-clementina às 10h38
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Poesia da Aninha

Minha comadre querida, Aninha de Goiás, escrevinhou muita coisa linda na vidinha dela.

Pra quem já cunhece vale lê de novo essa belezura. E praqueles que num cunhece prestenção, causo de que Aninha é poeta de primeira.

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite 
minha pobreza tal como sempre foi. 

Que não sinta o que não tenho. 
Não lamente o que podia ter 
e se perdeu por caminhos errados 
e nunca mais voltou. 

Dai, Senhor, que minha humildade 
seja como a chuva desejada 
caindo mansa, 
longa noite escura 
numa terra sedenta 
e num telhado velho. 

Que eu possa agradecer a Vós, 
minha cama estreita, 
minhas coisinhas pobres, 
minha casa de chão, 
pedras e tábuas remontadas. 
E ter sempre um feixe de lenha 
debaixo do meu fogão de taipa, 
e acender, eu mesma, 
o fogo alegre da minha casa 
na manhã de um novo dia que começa.

Cora Coralina

Agora ocês me diga se Aninha num era uma belezura, um anjo que Deus ponhô nessa terra pa mode de linhava as letra e custurá essas preciosidade? Sinhá tem sodade dela.

Beijim



 Escrito por sinha-clementina às 21h53
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