Varanda da Sinhá da Camiranga
 


Sinhá nas Oropa

SINHÁ NAS OROPA

                                          

 

 

Vou entrar no trem que avoa


Pras Oropa vou zarpar


Só volto pra Camiranga


Dispois de muito passear



Quero ver se o Carnaval de Munich


é mesmo coisa animada


E se a salsicha com cerveja dos alemão


bate a nossa feijoada!



Pros gajos de Trás dos Montes já mandei um recadim 


Sequóia quer farinheira, vinho verde e bacalhau


Enquanto Sinhá aprecia azeitonas, pão de alho e uns trancelins



Das cachopas bigodudas e de fados nem me falem


Disso eu só quero é distância


Me poupem de lamúrias e daquele “nem as paredes confesso”


Causo de que se eu gostasse de gente feia e papo furado


Ficava na Capetinga ouvindo as prosas do Nerso.



Quero ver as belezuras dos antigamente,


As estáutas peladas, a torre Eiffel iluminada


Encaro inté a Monalisa  rindo de lado

 

 

feito solteirona encalhada.


 


Quero andar pelas mesmas pedras 


onde pisaram Dumas, 


Camille, Lautrec e Channel


Ver onde a burrinha da rainha


perdeu os dedos, a cabeça e o anel.


 

Quer saber?

 

Bem feito pra  Antonieta


mandou o povo comer brioche


encontrou dona Guilhotina e bateu com a caçuleta!



Eu quero é mais, eu quero é tudo,

 

eu sempre quis muito, mesmo que parecesse ser modesta...

 

juro que Sinhá num presta

 

como falava Caetano naquela poesia que é uma festa.



Quero a brancura da neve, o fogo crepitando numa lareira,

 

eu quero a lua sobre o Sena,

 

os croissants, os queijos e chocolates, 


os perfumes e a música 


todo o encanto e o romantismo de Paris


Muito vinho e amor a noite inteira, toda noite


Eu quero, eu preciso, eu mereço ser feliz!



Quero esquecer desse furdunço


de notícias tristes, de morro desabando e gente soterrada.

 

Déspotas, tiranos, gente besta e infeliz


Mubarak, Osama, Kadhafi


A Líbia e o mundo sempre sempre por um triz...



Só peço duas semanas


Misericórdia, eu mereço!


Quinze, quinze diazinhos


De total desligamento


Só namorando o marido


comemorando e bebemorando


vinte e cinco anos de casamento.



Inté!

 

 



 Escrito por Sinha Clementina às 02h46
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